A conquista da morte pelos gênios do Vale do Silício

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“a morte é um problema técnico, que pode e deve ser resolvido.”

pelo menos é assim que pensam os gênios do Vale do Silício.

a mais nova ambição do ser humano é utilizar dos super poderes obtidos através do avanço tecnológico para conquistar um dos maiores mistérios da existência humana: a própria morte.

como o próprio Yuval Noah Harari descreve em seu brilhante livro Homo Deus:

“se a morte era tradicionalmente a especialidade de sacerdotes e teólogos, hoje são os engenheiros que estão assumindo o caso”.

a principal autoridade que dá fogo à discussão é o diretor de engenharia do Google: Ray Kurzweil, famoso por seus livros onde trouxe o tema da Singularidade tecnológica à tona.

segundo as previsões de Ray, se seguirmos o avanço tecnológico exponencial atual, em 2050 será possível criar interfaces que farão de homem e máquina uma coisa só (a tal singularidade), e isso fará o ser humano estender suas capacidades além de todo o cosmos e o universo, unindo-se com o todo. 

(qualquer semelhança com qualquer promessa feita por qualquer religião NÃO é mera coincidência ;D)

se essas previsões realmente se concretizarem, a humanidade se abre para todo um universo de possibilidades fascinantes. 

ao mesmo tempo, é possível que os seres humanos em breve entrem no período de maior zona de  conforto de toda história.

pense comigo:
se as pequenas benesses que usufruímos hoje pelo avanço tecnológico já nos fazem viver a era de maior depressão e ansiedade, o que acontecerá quando mais esse “mistério” da experiência humana não for mais um mistério?

a sociedade tal qual é moldada está em constante busca do controle e conforto.

imagine o que acontecerá quando tivermos o controle do incontrolável?

qual será a nossa motivação enquanto indivíduo? e enquanto espécie?

para te dar uma palhinha de onde podemos chegar, vamos pegar alguns casos extremos:

algumas pessoas com a tal síndrome de Peter Pan no Vale do Silício já apostam em soluções como a criogenia (congelar o seu corpo) ao morrer, na esperança de que, um dia, quem sabe, a “toda poderosa tecnologia” avance a tal ponto que seja possível te descongelar, renovar todas as células do seu corpo, para que você possa voltar à vida.

se você acha que estou brincando, tá aqui o link com algumas empresas sérias onde você pode comprar esse serviço de ter o seu ser “vitrificado” (o termo correto de um corpo congelado na criogenia).

uma das maiores autoridades em escrever sobre futurismo e inteligência artificial, Tim Urban, do blog WaitButWhy, declarou que já está inscrito para ser vitrificado pelo processo de criogenia quando morrer.

além disso, ele fala publicamente sobre seus maus hábitos em não exercitar-se e não colocar atenção na alimentação, confiando que um dia a tecnologia seja capaz de combater toda e qualquer doença proveniente de seus maus tratos a seu ser…….

a possibilidade de delegar tarefas à tecnologia para deixar nossa vida mais fácil, fluida e prática é realmente fantástica.

mas…
até que ponto seremos capazes de manter essa relação saudável?

a impressão que tenho ao ler declarações como a de Tim Urban é que a vida como se apresenta hoje não vale a pena ser vivida.

é melhor delegar logo para a “tecnologia”.

é um escapismo da vida moderna, na esperança de que a tecnologia um dia nos salvará.

e isso, em menor escala se dá em nossas vidas: no modo como vivemos, o modo como nos alimentamos, o modo como interagimos uns com os outros, o modo como experienciamos a realidade.

< frase de impacto > 
a tecnologia, antes uma aliada, uma grande ferramenta no que diz respeito a amplificar a experiência humana, agora faz exatamente o contrário: parece nos diminuir, nos deixar reféns dessa entidade toda poderosa que promete, um dia, nos salvar até mesmo da própria morte.

(qualquer semelhança com qualquer promessa feita por qualquer religião NÃO é mera coincidência ;D)
</ frase de impacto > 

o Vale do Silício e seu polo de inovação ganham à cada dia essa conotação disfarçada de “religião” para os super dotados inteligentes.

não me parece existir diferença entre alguém com uma fé cega na tecnologia ou em qualquer religião ou mesmo um hipocondriaco, que adora buscar em todos os lugares o remédio milagroso, a pílula mágica que lhe fará ser completo e saudável novamente.

fica a reflexão dessa sexta para você, meu car@ leitor@, para que você tenha discernimento e possa achar você mesmo o seu caminho:

< para filosofar: >
como você acha que está delegando para o futuro ou para uma entidade mágica toda poderosa grande parte do que pode ser feito hoje?

o nosso artigo sobre entrega X controle pode te ajudar.
< / para filosofar: >

< curtiu? envie essa sexta para alguém que gostaria de terminar bem a semana  />


// frase para você filosofar

#pt
“Os ciclos de nascimentos e mortes são inevitáveis para o homem apenas durante o estado de ignorância em que ele se identifica e acha que ele é o corpo e não pode existir sem ele. Somente o homem que não busca o despertar da sabedoria sofre pesadelos e sonhos delirantes de nascimentos e mortes e as misérias e limitações fantásticas que fazem parte dele.”  #Paramahansa Yogananda

#en
“Births and deaths are inevitable for man only during the state of ignorance in which he thinks he is the body and cannot exist without it. Only the man who will not seek the awakening of wisdom must suffer the nightmares and delusive dreams of births and deaths and the fanciful miseries and limitations attending them.” #Paramahansa Yogananda

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arte da capa: Existence, por Android Jones

Renato Stefani

Renato Stefani

apaixonado pelo desenvolvimento pleno e integral do ser humano, em busca do equilibrio entre corpo, mente e alma, aliando desenvolvimento tecnólogico ao despertar da consciência.
isso define quem eu sou.

o que eu faço?
sou o fundador do Hack Life,
instrutor de Yoga certificado pelaInternational Sivananda Yoga Vedanta Centre, especialista em futurismo e tecnologias exponenciais pela Singularity University.
Renato Stefani

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